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Prata da Casa vira Campeão Sul-Americano de Natação

Publicado por: Círculo Militar em 17/12/2021 -

Novembro foi histórico para a natação circulista.
Nesse mês, o atleta prata da casa, Matheus Cony Siniscalchi, conquistou o bronze nos 5 km e no revezamento das Maratonas Aquáticas, provas que aconteceram nos dias 2 e 5, respectivamente.
Depois, no dia 11, ele conquistou o ouro na prova de 1.500 m, do Campeonato Sul-americano de Desportes Aquáticos Juvenil, em Lima, no Peru.
Com 15 anos de idade e cursando o 1º Colegial no Colégio Dante Alighieri, Matheus nos conta um pouco sobre sua trajetória nos esportes e seus desafios.

1. Quando começou a nadar?
Comecei com 5 anos nas piscinas do CMSP com as professoras Cassia e Sandra, e, posteriormente, com os professores Flávio, Léo e André. Fui passando de fase até chegar no nível 4. Não era muito bom na natação, mas tinha o mais importante: a vontade. Terminei minha primeira prova no estilo borboleta em 5º lugar e já me achava o novo Phelps (risos).

2. Como foi passar para os treinamentos?
Muitos pensam que o treino é rígido e houve certa resistência do meu pai. Creio que ele achava que seria muito puxado para mim.

3. E os treinos exigem muito?
A maioria dos nadadores adora os treinos. A equipe é uma família e todos torcem por todos.

4. O que mudou após a vitória no Sulamericano?
Para mim, não mudou nada. Tenho que treinar para ganhar o próximo campeonato, mas é legal ser reconhecido.
Uma das coisas que vi nesse campeonato foram meus pais e o coach chorarem de emoção. Minha família estava superfeliz, e todos torcendo por mim. Formou-se uma corrente do bem e isso foi muito legal.

5. Sua trajetória esportiva teve muitos desafios. Qual deles o marcou mais?
Em 2017 estava me preparando para ser federado e, na competição que garantiria a vaga, nadei, sem saber, com o braço quebrado. Cheguei em 6º lugar e não consegui colocação para ser federado. Meus pais foram atrás do melhor médico e, com a ajuda do coach João, treinamos de forma diferente
e consegui, então, ser federado. Mas a competição não saiu como eu queria, fiquei uma colocação atrás da medalha. Isso me entristeceu muito, mas esse campeonato foi o divisor de águas.

6. O que fez para superar isso?
Meus pais montaram uma equipe de especialistas (psicóloga do esporte, endocrinologista, funcional etc.) para me ajudar. A partir desse momento, comecei a melhorar e a ganhar muitas provas. Foquei que queria ser campeão e treinei, treinei muito. Montamos uma equipe dobra em que alguns nadadores fazem dois treinos no mesmo dia. Quanto mais nadamos, mais fortes e melhores ficamos.

7. Como conseguiu treinar durante a pandemia?
Meus pais foram incansáveis… até locaram piscina. O coach João também foi incansável em dar os treinos. Conseguimos uma piscina residencial e treinamos escalonados; o João ficava umas 9 horas dando treino para os atletas, assim não quebrávamos protocolos.
Na pandemia meu corpo mudou, cresci 15 cm e isso me ajudou muito na natação. A pandemia nos uniu e nos deu um motivo maior para nadar. O que vem depois são histórias e vitórias.

8. Quem o ajudou a chegar à medalha de ouro?
Vou citar nomes, mas certeza de que alguns faltarão. Desculpem-me, mas saibam que todos moram no meu coração. Agradeço ao presidente do CMSP, Gen. Div. Eduardo Diniz que, mesmo respeitando os protocolos, conseguiu nos deixar nadar; ao diretor de Esportes, Sr. Nelson Turri, que viabilizou tudo; aos loucos que inventaram e fizeram mais de 300 programas Quarentena da Natação,
uma excelente iniciativa que nos uniu e nos ocupou; a meu pai Glauco; ao coach João e ao professor John, que deixaram o tempo de clausura mais leve; à equipe que dobra o treino antes de ir para a escola, pois, sem a parceria deles, não chegaria à medalha. Tenho mais quatro pessoas para agradecer: ao Totti (Thomas Thisted) e à Yasmim Tomita, por terem começado comigo e estarem comigo até hoje, ao coach João, que é um segundo pai para mim, e à minha irmã, que foi até técnica de natação durante essa pandemia.

9. Como foram as provas?
Nas Maratonas, sofri muito com a roupa e a temperatura da água, que estava 15.3 ºC. Foi um obstáculo nadar assim. Já na piscina, no dia da prova, tive uma infecção alimentar, mas ninguém me tiraria da competição. Mesmo fraco e cansado, nadei com muita vontade e ganhei.

10. O que você tira de lição? Que todos precisamos lutar pelo nossos sonhos, pois conquistar um sonho é bom demais. Eu tenho um pedido para fazer: que o CMSP mantenha a política de esporte. Foi muito nítida a mudança para os sócios. Estão todos felizes. Também quero deixar um recado: as crianças precisam de atividades físicas e precisam de exemplos. Eu mesmo, quando comecei, tinha o Bruno Yamamoto (10° melhor nadador FINA) e o Nicollas Thisted (à época, o 1° do Ranking Brasil). Queria chegar aonde eles chegaram. Portanto, sonhem, é o primeiro passo para chegar lá.


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